Antigamente, para os gregos, o cuidar de si implicava no cuidar da alma, e cuidar da alma implicava na auto-observação. No mundo de hoje, para alcançar os exigentes padrões de beleza estamos constantemente buscando a perfeição estética, a juventude eterna. Mas o que aquela imagem que vemos refletida no espelho revela? O cuidar de si hoje implica em um excesso de vaidade que resulta em expressões patológicas. Vivemos em um mundo moderno. E este mundo moderno impõe a você a forma correta de ser, agir, de comer, de viver; hoje ir para academia para muitos envolve a questão de exercitar o corpo em busca de uma saúde melhor, para outros a questão da saúde não existe, pois o que eu encontro na academia são aparelhos que fará com que eu tenha um corpo melhor, mais próximo do perfeito, mais próximo do padrão de beleza imposto.
Um mundo onde tudo já esta praticamente engessado. Onde é preciso se ajustar ao que já esta imposto, e isto impede pessoas de criar sua própria identidade, forma de interagir com o externo; e de criar um modelo próprio de atuação na sociedade.
O corpo pede muito mais que um cuidado externo, primeiramente há a necessidade de um cuidado interno. De um cuidado da alma. Antes mais do que nada, estar bem consigo não depende só do cabelo que esta desarrumado, do corpo que temos, ou do dinheiro que possuímos, depende apenas em se sentir bem sendo como é. Todo esse modelo que estamos cansados de ver na mídia, é imposto. Um exemplo disto, é essa busca das modelos por um corpo que para elas é perfeito; o resultado desse enquadramento tem como conseqüência um desajuste mental nessas moças, que se expressam obviamente no corpo, já que estas colocam sua própria vida em jogo para se enquadrar nos estereótipos Somos capazes de criar nossa própria identidade, sem necessariamente ter que atribuir as influências externas. A tendência desse mundo é bloquear a nossa autenticidade em saber observar, criticar, e fazer com que o número de indivíduos pensantes se tornem cada vez menores. Continuar aceitando essas imposições, é se deixar ser dominada pelo mundo. É não ter um próprio ponto de vista, mas aceitar os que são oferecidos como seus compartilhando deles. É preciso ampliar esta linha do horizonte...
Penso que, se continuarmos aceitando tudo já mastigado não exercitaremos aquilo que fomos dotados em ter: a inteligência. A capacidade de distinguir o que é satisfatório; não é porque tal sapato esta na moda que também tenho que tê-lo, ou porque aquela roupa é tendência que eu tenho que compra-la, antes de consumir, é preciso perguntar se eu quero porque eu realmente gostei, ou simplesmente porque estou sendo influenciada pelo que esta sendo oferecido como forma de enquadramento de um certo tipo de padrão estético.
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